Amém...
Faces desenhadas pro pecado, mas forçadas a ficarem atrás de um colarinho
O mundo tá obcecado por padres gatos e honestamente eu também.
O primeiro amor a gente nunca esquece. Em 2019 nós fomos apresentadas ao Hot Priest, interpretado por Andrew Scott em Fleabag, que não é apenas um padre com uma beleza convencional, ele é irônico, engraçado e continuamente tentado pelo desejo.
Mas o nosso Hot Priest não é o primeiro nem o último padre gato a aparecer em Hollywood, já que, no último filme da saga Knives Out - Vivo ou Morto, Joshua Connor foi um padre gato, que é atraente, agressivo, tem uma slutty tattoo saindo do colarinho e gerou uma certa comoção no universo feminino.
E não dá pra esquecer do Malthus, interpretado por Rodrigo Santoro, de Hilda Furacão: um homem de uma inocência quase desconcertante, idealista e movido por uma fé que não é performática. Ele seduz pela pureza que resiste ao mundo, e por isso sua “corrupção” pesa como um conflito humano real, entre desejo e vocação.
Soma-se a isso o fenômeno dos calendários de padres gatos, que transfora figura clerical em ícone cultural ao misturar devoção, curiosidade e um certo fascínio coletivo pelo contraste entre disciplina espiritual e beleza mundana.
Pra minha análise eu vou fugir de discussões moralistas sobre o sexo feminino e eu vou focar no homem como objeto de desejo, fazendo uma pequena comparação. Então o que a gente vai fazer aqui é um espectro do desejo:
Do lado negativo a gente tem um incel, um homem em celibato involuntário que gets no pussy.
E do lado positivo nós temos o padre gato, que é um homem olhado, desejado, bem quisto, mas que escolhe o celibato de forma voluntária.
O incel sente que o sexo é um direito dele, que aquilo é algo inerente à figura masculina. E quando ele tenta e é rejeitado, ele se frustra, se fecha e devolve com agressividade. E isso o torna extremamente repugnante. Mas isso, é claro, não é exclusivo dos incels, todo homem acha que se sente intitulado ao sexo e por isso que eles têm tanta dificuldade com a rejeição feminina.
Mas o Hot Priest, pelo contrário, ele não tem medo da rejeição feminina, porque ele escolhe o sexo como renúncia. E há algo profundamente sedutor nessa abdicação volutária: ela revela um homem que acredita em algo com tanta intensidade que escolhe renunciar a um dos impulsos mais básicos da experiência humana. Essa escolha não comunica repressão, mas propósito. O padre gato encarna uma forma rara de desejo contido que sugere domínio de si, respeito, convicção e identidade.
Então a rejeição nunca esteve no cardápio. Assim ele consegue viver uma relação com o sexo oposto sem essa dinâmica de poder sexual da escolha e da rejeição. Mas ainda com a faísca da possibilidade do desejo, caso esse homem lindo, alto, teoricamente benevolente, escolha se corromper pela irresistibilidade feminina.






